No dia Mundial contra a discriminação racial, nada melhor do que lembrarmos de um personagem da história dos EUA que talvez tenha sido o maior ícone do combate contra o racismo nesse país e cujas ações e discursos repercutiram mundo afora a partir dos longínquos anos 60.
O assassinato de Martin Luther King Jr. em 4 de abril de 1968 provocou tumultos, prisões e mortes em muitas cidades americanas.
Em seu famoso discurso “I Have a Dream” (Eu tenho um sonho) feito nos degraus do Lincoln Memorial em 1963, Martin Luther King Jr. descreveu as realidades raciais de sua época com força e eloquência únicas!
Embora a escravidão nos Estados Unidos tivesse terminado cem anos antes, ele declarou que os negros americanos ainda não eram livres. As chances de vida para os negros foram severamente diminuídas, prejudicadas pela segregação racial e discriminação generalizada. Os negros eram em sua maioria pobres, apesar de viverem em uma sociedade com tremenda riqueza. Muitos eram socialmente marginalizados e isolados em favelas. Os negros não tinham cidadania igual porque lhes eram negados os direitos de votar e ocupar cargos públicos. Eles eram vítimas de brutalidade policial e atos cruéis de terrorismo doméstico. Sob constante ataque da ideologia racista, os negros lutavam para manter o autorrespeito e a autoestima.
A Lei dos Direitos Civis de 1964 e a Lei dos Direitos de Voto de 1965 ajudaram a romper as barreiras legais à inclusão negra na vida social americana, a coibir a discriminação e a empoderar os negros politicamente. King então proclamou em seu livro Where Do We Go from Here? (Para onde vamos a partir daqui?) que muitos brancos passaram a aceitar a igualdade racial, pelo menos em princípio, e a rejeitar a segregação e a discriminação. No entanto, disparidades raciais preocupantes — em renda, educação, riqueza, emprego, saúde e pobreza — causadas pela discriminação contínua e séculos de maus-tratos e abusos grosseiros, permaneceram sem solução.
King argumentou que a oposição racista não era a única razão pela qual essas disparidades ainda não tinham sido enfrentadas com uma resposta adequada. Um outro obstáculo talvez mais difícil, era que a maioria dos brancos, mesmo muitos que rejeitavam o racismo, resistiam a medidas de justiça racial que poderiam ter um custo pessoal. Como King escreveu, “A grande maioria dos americanos … está desconfortável com a injustiça, mas ainda não está disposta a pagar um preço significativo para erradicá-la”.
Em resposta a essa resistência, King nos lembrou que tentativas significativas de criar uma sociedade justa têm custos inevitáveis. Educação de qualidade para todas as crianças, empregos decentes e bem remunerados para adultos e a erradicação de favelas em benefício dos pobres exigem grandes recursos.
King estava comprometido com os ideais fundamentais de igualdade racial e integração. Ele entendia o primeiro como uma demanda de justiça social que poderia ser descrita em dois princípios básicos:
- Cada cidadão, independentemente de sua raça, deve desfrutar de igual posição cívica e igual proteção da lei. A justiça não permite cidadania de segunda classe com base na raça.
- O governo deve garantir que os direitos básicos de ninguém sejam restringidos ou as perspectivas gerais de vida reduzidas por causa do preconceito racial de outros. Não é suficiente que o estado se abstenha de tratar alguns cidadãos como se fossem inferiores cívicos indignos de igual preocupação e respeito. Indivíduos e associações privadas devem ser obrigados a seguir o exemplo — pelo menos quando as liberdades básicas dos indivíduos ou oportunidades socioeconômicas vitais estão em questão.
Desde 1986 os EUA celebram o Martin Luther King Jr. Day na terceira segunda-feira de janeiro. Este feriado homenageia o líder dos direitos civis que trabalhou para acabar com a segregação e as práticas injustas contra os negros nos EUA.
God bless MLK!