Eleições 2018 – A vitória da democracia. Todos estamos no mesmo time.

Fim das eleições no Brasil. Podemos dizer que o resultado foi positivo? Sim. Refiro-me à vontade popular sendo exercida por meio do voto e também pelas surpresas apresentadas nos índices de renovações em diversos cargos políticos.

No Senado Federal, dos 54 eleitos que representavam dois terços das Cadeiras, 46 são novatos, o que significa um índice de renovação de 87%. Na Câmara dos Deputados a renovação, apesar de ser relativa, chega a 52% superando 2014 que foi de 43,7%, sendo a maior taxa de renovação nos últimos 20 anos1 . Na realidade alguns deputados vieram de outros cargos ou já foram deputados e estavam sem mandato. Houve ainda uma circulação do Senado para Câmara; da Câmara Federal para as Estaduais e para as Prefeituras.

Os 513 deputados federais estão distribuídos em 30 partidos diferentes, um recorde na história da Casa. As maiores representações são do PT, 56 deputados e PSL, 52 deputados. Já na casa que representa os Estados, foram eleitos 54 senadores de 20 partidos diferentes. Considerando o PTC, que já tem senador e não ganhou nova cadeira, 21 partidos terão representantes a partir de 2019.

Todo processo eleitoral traz uma esperança de melhorar ou de mudar aquilo que não estamos satisfeitos. A alternância do Poder é um dos pilares da democracia e deve existir para oxigená-la.

As eleições de 2018, também consolidou a força da rede social, o que fez o eleitor se desprender das influências, muitas vezes parciais, da grande mídia que escolhia seu candidato e repassava suas preferências fazendo com que a opinião pública fosse substituída pela opinião publicada.

Esse conjunto de acontecimentos parece ter contribuído para diminuição da deseducação política de nosso povo, ou pelo menos, para a descoberta de possíveis caminhos para isso, pois segundo matéria do Estadão de 29 de outubro de 2018, quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, maior foi a votação em Haddad – e quanto maior, mais votos para Bolsonaro. O indicador mede a qualidade de vida da população com métricas de acesso à educação, longevidade e renda. Podemos concluir que se o atual presidente da República desejar renovar seu mandato o caminho parece ser o de melhorar o IDH, vez que, segundo a matéria, Jair Bolsonaro venceu em 97% das cidades mais ricas e Fernando Haddad em 98% das mais pobres.

Nossa esperança é que todos tenhamos a grandeza para não deixar que as diferenças ideológicas sejam combustível para nos comportarmos como inimigos em um campo de batalha, freando assim as possibilidades do Brasil.

O presidente Barack Obama quando passou a faixa presidencial para Donald Trump disse que se comportava como em uma corrida de revezamento. Que lição podemos tirar? Na corrida de revezamento você pega o bastão e corre o melhor que puder com a esperança de que quando for passá-lo para o próximo corredor, esteja à frente e seguro de que seja bem feita e torce para que o desempenho dele seja melhor que o seu.

Aí podemos nor perguntar: para onde direcionamos a nossa torcida? De que lado estamos? Como o nosso time é a nação brasileira, estamos todos do mesmo lado, ainda que com variados pontos de vista. Assim, o sucesso e insucesso das ações de um afeta a todos, porque estamos no mesmo time.

 

Autor: Marcos de Araújo – Advogado, Professor-Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais; cofundador do Instituto Fidúcia.

1Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – Diap.

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