Dez anos de avaliação institucional da APMB

RESUMO

10 ANOS DE AUTOAVALIAÇÃO INSTITUCIONAL NA ACADÊMIA DE POLÍCIA MILITAR DE BRASÍLIA – APMB: AVALIAÇÃO ENQUANTO PARTE DO PROCESSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA DO DOCENTE CIVIL E MILITAR NOS TERMOS PREVISTO NO SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR (SINAES).

Autor: Airan Almeida de Lima

Mestre em Educação[1]

O presente artigo é resultado do estudo de caso sobre a autoavaliação institucional[2] na Academia de Polícia Militar de Brasília – APMB e sua repercussão na melhoria da formação profissional continuada do docente civil e militar.

O OBJETIVO do estudo de caso foi investigar se a avaliação da prática docente contribuiu para fortalecer a formação pedagógica e didática do docente no efetivo exercício profissional na Academia de Polícia Militar de Brasília – APMB de maneira a promover a qualidade de uma educação militar de excelência ao longo de uma década.

A METODOLOGIA de pesquisa foi qualitativa fundamentada no método etnográfico e abordagem multifatorial para coleta de dados: análise documental, entrevistas, questionários e a observação.

COLETA DE DADOS: o ponto de partida para coleta de dados do estudo de caso foi o segundo semestre letivo de 2007, período que iniciou na Academia de Polícia Militar a autoavaliação Institucional tendo como referência os indicadores do SINAES. O foco inicial para coleta de dados foi acompanhar a aplicação dos instrumentos de autoavaliação institucional da prática do docente realizada pelos estudantes do Curso de Formação de Oficiais – CFO. Essa prática tinha como missão orientar os docentes sobre como fazer a contextualização dos conteúdos curriculares referenciados na matriz curricular da SENASPE à realidade de atuação do oficial da policial militar do Distrito Federal. Posteriormente, essa programação se ampliou para todos os cursos e formação do Instituto Superior de Ciências Policiais – ISCP da policia militar do Distrito Federal.

ANÁLISE DOS DADOS: Diversos fatores emergiram no processo de análise dos dados. Nesse artigo, vamos organiza esses fatores em 2 categorias: pontos fracos os indicadores que vulnerabilizariam  e pontos fortes os indicadores que favoreceriam a programação e operacionalização da avaliação da prática docente da APMB. Destacou-se na análise pontos fracos que vulnerabilizariam a programação e a operacionalização da avaliação da prática docente tais como:  1.Fatores limitadores da formação pedagógica dos docentes civis evidenciados pela ausência de   formação didática e metodológica específica para ensinar no contexto policial militar e, simultaneamente, docentes militares, também desprovidos de  formação pedagógica e de didática geral para ensinar seus conteúdos, habilidades e competências aos policiais militares. 2.Fatores limitadores motivacionais percebidos  nos docentes civis  que não aceitaram a proposta de ter sua prática de ensino avaliada pelos estudantes por considerarem que já estavam avaliados pelas instituições que certificaram sua competência com a expedição do diploma. Ao mesmo tempo,, os docentes militares consideram uma sobre carga ter que se submetido a uma avaliação pelos estudantes, tendo em vista que não eram liberados de suas atividades profissionais (escalas, missões, etc) para ministras suas aulas o que fragilizava sua prática como docente. Pode-se destacar  como pontos fortes a programação e operacionalização da autoavaliação da prática docente: 1. O empenho dos Gestores (Comandantes da Academia de Policia Militar de Brasília – APMB e chefes da unidade de ensino) que defenderam a importância do programa de avaliação da prática docente para melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem dos cadetes do Curso de Formação de Oficiais – CFO. 2. O caráter pedagógico, didático e formativo da avaliação que evitou classificar a prática dos docentes, e simultaneamente, indicou como deveria ser realizada a contextualização dos conteúdos, habilidades e competências ministradas na prática em sala de aula. Ao analisar dos dados, percebeu-se que esse caráter formativo da avaliação da prática docente valorizou a cultura de avaliação e da formação profissional em exercício da atividade de ensino-aprendizagem para melhoraria de educação policial militar contextualizada.

CONCLUSÃO: Ao longo desses 10 anos, se consolidou a compreensão da autoavaliação da prática docente enquanto parte do processo de formação pedagógica, didática e metodológico do docente civil e militar da APMB.  A autoavaliação da prática docente foi o fio condutor para que a academia se tornasse um espaço de formação dos futuros policias e, concomitante,  dos professores civis e militares superando os pontos fracos iniciais de limitação da formação pedagógica dos professores civis quanto a formação didática específica para atuar na educação militar, além da, falta de formação pedagógica e de didática geral do professor militar para ensinar os conteúdos, habilidades e competências práticas profissional policial militar. Esse processo de formação profissional foi alimentado semestralmente pelas atividades pedagógicas de coordenação e organização do trabalho pedagógico. Uma das fontes de alimentação da formação continuada do professor civil e militar foi a retorno da avaliação semestral na avaliação da prática docente. Como se tornou uma prática recorrente, sempre em reunião de coordenação pedagógica individual, no início de cada semestre, os professores civis e militares passaram a receber relatório com o resultado final obtido da avaliação realizada pelos estudantes de sua prática docente. O retorno da autoavaliação da prática docente recebeu o nome de devolutiva. Essa prática alimenta o processo de ação-reflexão-ação dos docentes civis e militares e permite aos docentes  a autoreflexão e busca  da melhoria didática e pedagógica presente nos indicadores avaliados no relatório semestral da prática docente.

[1] Orientador Educacional da Secretaria de Educação do Distrito Federal e Comitê cientifico da Revista Ciências Policiais do Instituto Superior de Ciências Policiais – ISCP.

[2] Autoavaliação Institucional é a avaliação interna realizada pela própria instituição nos termos previstos no SINAES.

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